Qual é a tradução Bíblica mais correta ?
A Tradução do Antigo Testamento
O Antigo Testamento tem origem na cultura judaica, na qual os escribas dos tempos mais antigos ocupavam-se em copiar todos os manuscritos disponíveis inúmeras e inúmeras vezes. O intuito era perpetuar, primeiramente, o pentateuco e posteriormente as revelações trazidas por profetas e sacerdotes (Samuel, Amós, Jeremias etc.), assim foi até o exílio dos israelitas para a Babilônia no séc. VI a.C.
Durante o exílio a língua materna dos israelitas, que é o hebraico, começou a ser substituída pelo aramaico (consequência do choque cultural com os babilônios), foi nessas circunstâncias que começaram a aparecer as primeiras traduções do antigo testamento para outro idioma (esses manuscritos receberam o nome de Targumin).
Paralelo a isso, lembre-se de que o profeta Jeremias, durante o exílio, foi levado com os judeus sobreviventes para o Egito (Jm 43_5 e 6). Esse acontecimento fez com que, mais tarde, os judeus compreendessem 1/3 da população alexandrina, que era helênica (grega). Consequentemente, foi lá no Egito, em Alexandria, que começaram a nascer as primeiras traduções do AT para o koiné (grego helênico); essa tradução ficou conhecida como septuaginta, a mais antiga tradução do AT que sem tem hoje.
Ao longo dos anos, muitas outras traduções foram aparecendo, como a Vulgata Latina (de São Gerônimo), a Hexapla (Orígenes), a Peshitta (séc. II d.C.), entre outras. Fato é, que hoje usa-se muito como referência a Septuaginta, a Vulgata e a versão King James, essa última datada do séc. XVII d.C.
Vale ressaltar, entretanto, que quando o assunto é Antigo Testamento a igreja não costuma debater muito sobre traduções, uma vez que a maior parte da doutrina cristã foi construída com base no Novo Testamento, do qual trataremos a seguir.
A Tradução do Novo Testamento
Existem 2 tipos de textos gregos dos quais o Novo Testamento pode ser extraído: o texto crítico (baseado em alguns manuscritos muito velhos, datados dos séculos II; III ou IV d.C.) e o texto majoritário (que compreende a grande maioria dos textos antigos, oriundos do séc. VIII, IX e X d.C.).
Muitos cristãos, precipitadamente, creem que quanto mais antigo o texto, mais fiel aos fatos é a sua tradução, e deduzem o texto crítico como sendo o mais adequado. Entretanto, a grande pergunta que alguns estudiosos tem feito é: Se o texto era bom, por que não foi copiado no mesmo volume do texto majoritário?
As bíblias que são mais populares hoje foram, praticamente, todas traduzidas pela Sociedade Bíblica do Brasil, que se baseou no texto crítico para a construção de versões como a Almeida Atualizada, NVI e NTLH. Entretanto, ainda é fácil encontrar no mercado aquelas cuja tradução se amparou no texto majoritário: Almeida Corrigida, Almeida Fiel, Sociedade Trinitariana etc.
A esta altura você deve estar se perguntando qual é a diferença entre os textos crítico e majoritário. A resposta é: MÍNIMA. Eles divergem em questões que não afetam a teologia bíblica, as grandes diferenças são o final de Marcos 16, o trecho da mulher adúltera, e 1ª João no capítulo 5 (nenhum desses textos, se tirados, afetam a teologia Bíblica cristã).
Sobre o método de tradução
Compreendida a origem dos textos, cabe ressaltar que a forma como se traduz também é importante. Os estudiosos que traduzem a Bíblia podem fazer uso de dois métodos de tradução: Equivalência Formal e Equivalência Dinâmica.
Na Equivalência Formal, o tradutor transmite palavra por palavra, ou seja, o termo em hebraico é analisado e traduzido por um equivalente no português; veja um exemplo:
"Tens exaltado o meu chifre" Salmos 92_10
Nessa passagem, a palavra "chifre" aparece em Salmos por ser exatamente a mesma encontrada nos manuscritos originais. Nos tempos de Davi (e também de Jesus), o chifre era um sinônimo de força e poder, logo, alguns tradutores resolveram utilizar a chamada equivalência dinâmica para essa passagem, observe:
"Tens exaltado o meu poder" Salmos 92_10
Ou seja, a frase original foi analisada e traduzida por palavras equivalentes, mas sem prejudicar o sentido da mensagem. Bíblias como a NTLH e A Mensagem, por exemplo, chegam a fazer paráfrase de muitos versos só para poder transmitir conceitos importantes em linguagem popular.
Existem, também, casos de versões como a NVI, que fizeram a combinação das duas equivalências durante a tradução do Texto Sagrado. Note que o objetivo - ao contrário do que alguns insinuam - não é manipular o que está escrito, mas simplificar o entendimento a todos.
Qual é a tradução mais correta?
Definitivamente, qual tradução é a mais correta? A resposta é não há. Como não há prejuízo ao sentido das frases, todas as traduções são cabíveis de leitura. Algumas vão facilitar o entendimento de certas passagens, outras nem tanto. Por isso, acredito que o cristão (principalmente o recém-convertido) deve buscar traduções evangélicas da Bíblia que melhor se adequem às necessidades de leitura.
Ressalto, novamente, que as traduções cabíveis de leitura são as evangélicas. A tradução do Novo Mundo não é adequada à leitura por ter sido adaptada (isso mesmo, adaptada) à doutrina das Testemunhas de Jeová. Pontos essenciais do fundamento cristão foram postos em xeque pela tradução do Novo Mundo: a divindade de Cristo, a crucificação (que segundo eles não foi em cruz), a inexistência da trindade, entre outros. O mesmo cuidado deve-se à doutrina Mórmon, cuja fonte de autoridade (O Livro de Mórmon) não pode ser usada para balizar aspectos de nossa vida cristã. Há muitas traduções e livros perigosos, estejam atentos!
Já a versão católica possui boa tradução, mas foi complementada com alguns livros apócrifos de origem duvidosa durante a contrarreforma (séc XVI). A Igreja Católica, inquietada pela Reforma Protestante e questionamento popular, acrescentou 7 livros a mais nas escrituras: Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1ª Macabeus e 2ª Macabeus; além de alguns poucos versículos a mais em Ester e Daniel. Como saber se os livros eram confiáveis ou apenas uma tentativa de ganhar confiança popular e fazer frente aos reformadores?
Por fim, ressalto que o Rev. Augusto Nicodemos defende a NVI e as versões Almeida como muito boas para pregações e trabalho pastoral. Além disso, ele afirmou que quando o objetivo é comparar traduções, as versões Corrigida e NTLH são excelentes para se colocar lado a lado.
Corrigida -> Almeida Atualizada (e semelhantes) -> NVI -> NTLH -> A mensagem

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